
Domingo de eleição esvazia a loja: como o lojista se planeja para o 2º turno
Resumo
Nos dias de votação de 2018 e 2022, o movimento nas lojas caiu mais da metade, segundo a Seed Digital. Com o 2º turno marcado para 25 de outubro, o lojista ainda tem tempo de ajustar equipe, horário, estoque e vendas pelo WhatsApp para não pagar caro por um domingo vazio.
O que este artigo responde
- Quanto o movimento nas lojas cai em dia de eleição
- Por que loja de rua sente mais que shopping
- Como ajustar equipe, horário e meta para o 2º turno
- Como vender mesmo com a loja vazia no domingo de votação
O primeiro turno das eleições de 2026 aconteceu neste domingo, 4 de outubro. Para quem tem loja, o recado dos números é direto: dia de votação costuma ser um dos domingos mais fracos do ano. E ainda vem o 2º turno, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 25 de outubro, nos estados e na disputa presidencial em que ele for necessário.
A boa notícia é que dá tempo de se planejar. Este artigo mostra o que os dados dizem e, principalmente, o que o lojista pode decidir a partir deles.
O que os números mostram
A Seed Digital, empresa que mede a circulação de pessoas no varejo físico, comparou o fluxo de visitantes nos dias de votação com o mesmo domingo do ano anterior. O levantamento, divulgado no início de outubro, cobre mais de 6 mil pontos de venda.
| Data | Queda no fluxo de visitantes |
|---|---|
| 1º turno 2018 | −51,6% |
| 2º turno 2018 | −50,5% |
| 1º turno 2022 | −56,3% |
| 2º turno 2022 | −53,7% |
Em todos os quatro dias, a queda passou de 50%. Os domingos entre os dois turnos também ficaram mais fracos, mas bem menos: em 2018, as quedas foram de 30,9% e 32,2%; em 2022, de 36,3%, 29,5% e 28,9%.
O próprio fundador da empresa, Sidnei Raulino, faz a ressalva que importa: os dados não garantem que 2026 repetirá a mesma queda. O que eles mostram é um padrão consistente em dois ciclos eleitorais diferentes.
Por que o movimento cai
O eleitor não deixa de consumir — ele muda a rotina. Parte da manhã ou da tarde vai para o deslocamento até a seção eleitoral, muitas vezes em outro bairro. Famílias costumam votar juntas e depois voltam para casa. Há quem viaje para votar na cidade de origem. E o passeio de domingo, que leva o cliente a circular por ruas comerciais e shoppings, simplesmente não acontece da mesma forma.
Em alguns estados e cidades também pode haver restrições locais, como a venda de bebida alcoólica, definidas pelas autoridades de cada lugar. Não existe uma regra nacional única: o lojista do setor deve conferir a orientação do seu estado antes do dia.
Loja de rua sente mais que shopping
O levantamento mostra que as lojas de rua perderam um pouco mais que as de shopping:
- 1º turno de 2018: −55,3% na rua contra −51,7% no shopping;
- 2º turno de 2018: −51,1% contra −50,2%.
A diferença é pequena, mas faz sentido: o shopping tem estacionamento, alimentação e lazer no mesmo lugar, e atrai quem quer "dar uma saída" depois de votar. A loja de rua depende mais do passante, que nesse dia é raro. Uma loja perto de escolas que servem de seção eleitoral pode viver o contrário: movimento concentrado em poucos horários.
Como se planejar para o 2º turno
O erro mais caro é tratar 25 de outubro como um domingo comum. Quatro decisões fazem diferença:
1. Equipe do tamanho do dia
Se o movimento pode cair pela metade, manter a escala cheia significa pagar horas com pouca venda. Avalie reduzir a equipe, concentrar os vendedores nos horários de maior fluxo e lembrar que o funcionário também precisa votar. Combine com antecedência e respeite as regras trabalhistas e as convenções da sua categoria.
2. Horário pensado, não herdado
Abrir mais tarde ou fechar mais cedo pode ser mais lucrativo do que ficar aberto o dia todo com a loja vazia. Se você está em shopping, siga o horário definido pelo empreendimento. Na rua, observe o seu próprio histórico (veja abaixo) antes de decidir.
3. Meta ajustada ao dia
Uma meta de vendas igual à de um domingo normal desanima a equipe e distorce a avaliação do mês. Ajuste a meta do dia e, se for o caso, redistribua o esforço para o sábado anterior e para a segunda-feira.
4. Use o dia fraco a seu favor
Domingo vazio é ótimo para o que não dá para fazer com a loja cheia: reorganizar a vitrine, conferir estoque, repor e precificar produtos, treinar a equipe.
Como vender mesmo com a loja vazia
O cliente que não vai até a loja continua com o celular na mão. Algumas ações simples:
- WhatsApp: avise a sua lista de clientes, na véspera, sobre o horário do domingo e ofereça atendimento e entrega ou retirada.
- Vendas online: se você vende pela internet ou em marketplaces, garanta estoque e preço atualizados para o fim de semana.
- Retirada na loja: facilite que o cliente compre pelo celular e retire na segunda-feira.
- Campanha para o dia seguinte: uma condição especial válida só na segunda ou na semana após a votação ajuda a recuperar parte do movimento perdido.
Compare com o seu próprio histórico
Os números da Seed Digital são uma média de milhares de lojas. A sua pode ter se comportado diferente. Antes de 25 de outubro, consulte as vendas e o número de atendimentos dos domingos de eleição de 2018 (7 e 28 de outubro) e de 2022 (2 e 30 de outubro), e compare com domingos comuns daquelas semanas. Se você usa contador de pessoas ou sistema de vendas, o dado já está lá. Também vale olhar o resultado deste 4 de outubro assim que fechar o caixa: ele é a melhor referência para o 2º turno.
Os limites desses dados
- A comparação é com o mesmo domingo do ano anterior, que pode ter tido feriado, chuva ou outra data comemorativa influenciando.
- O levantamento mede circulação de pessoas, não vendas. Menos gente não significa necessariamente queda de faturamento na mesma proporção.
- A amostra é das lojas monitoradas pela empresa; não foram divulgados detalhes por região, segmento ou porte.
- O 2º turno não acontece em todo lugar: onde não houver votação, o domingo deve seguir o padrão normal.
Mesmo com essas ressalvas, quedas acima de 50% em quatro eleições seguidas são um sinal forte demais para ignorar.
Perguntas frequentes
Quando é o 2º turno das eleições de 2026?
Em 25 de outubro de 2026, segundo o calendário do TSE, apenas onde houver disputa de 2º turno para presidente ou governador.
Vale a pena fechar a loja no dia da eleição?
Depende do seu histórico e da localização. Compare as vendas dos domingos de eleição anteriores com domingos comuns. Muitas vezes, reduzir horário e equipe é melhor do que fechar.
O movimento também cai nos domingos entre os turnos?
Sim, mas menos. Em 2018 e 2022 as quedas ficaram entre cerca de 29% e 36%, contra mais de 50% nos dias de votação.
Menos movimento significa menos vendas na mesma proporção?
Não necessariamente. O levantamento mede circulação de pessoas. Vendas pelo WhatsApp, pela internet e campanhas para a segunda-feira ajudam a compensar.
Resumo pratico para aplicar no seu negocio
Trate 25 de outubro como um domingo de baixa: confira seu histórico das eleições anteriores e do 1º turno, ajuste equipe, horário e meta, use o dia para organizar a loja e avise seus clientes pelo WhatsApp sobre atendimento, entrega e uma condição para a segunda-feira.
Fontes e referências
- Eleição muda movimento das lojas e derruba fluxo do varejo — Mercado & Consumo · acesso em 04/10/2026
- Estudo aponta que varejo perde mais da metade do fluxo de consumidores nos dias de eleição — Revista do Administrador · acesso em 04/10/2026
- Eleições 2026: confira as principais datas do calendário eleitoral — Tribunal Superior Eleitoral · acesso em 04/10/2026
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https://brunohelenolima.com.br/blog/eleicao-segundo-turno-movimento-loja-planejamento-lojista
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